domingo, 3 de setembro de 2017

MISSA DE ABERTURA DO Mês da Bíblia 2017 HOMLIA PADRE VALTER

Jutay Rebouças     06:26     No comments









SERVIÇO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA – SAB



“ANUNCIAR O EVANGELHO E DOAR A PRÓPRIA VIDA” (cf. 1Ts 2,8)

Para que n’Ele nossos povos tenham vida Primeira Carta aos Tessalonicenses Mês da Bíblia – 2017 Texto para o povo



INTRODUÇÃO


O Mês da Bíblia iniciou-se no Brasil em 1971 como um espaço privilegiado para aprofundar um livro ou tema bíblico. Em 2016 refletimos sobre o livro de Miqueias e em 2017 temos a oportunidade de estudar e rezar a Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses. Conforme os últimos anos, o tema e o lema, à luz do Documento de Aparecida, foram escolhidos pela Comissão Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras instituições bíblicas, dentre elas o Serviço de Animação Bíblica (SAB/Paulinas). Para este ano o tema é “Para que n’Ele nossos povos tenham vida – Primeira Carta aos Tessalonicenses” e o lema “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida” (cf. 1Ts 2,8).

QUEM É O AUTOR DA PRIMEIRA CARTA AOS TESSALONICENSES?

É Paulo, servo e apóstolo de Jesus Cristo (Rm 1,1). Ele se apresenta como hebreu, filho de hebreus, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, circuncidado ao oitavo dia e fariseu (Fl 3,5). Paulo conhecia muito bem a Torá e defendia profundamente a Lei de Moisés. Ele perseguiu os cristãos para defender o judaísmo e encontrou-se com Cristo no caminho de Damasco (Gl 1,11-24). Esse encontro mudou sua vida para sempre, tornando-se um cristão dentro de um processo revitalizador: foi batizado (At 9,18), retirou-se para a Arábia, sentiu-se chamado por Deus e enviado para anunciar Jesus Cristo entre as nações (Gl 1,16-17). Como fiel discípulo de Cristo, adotou o nome latino Paulo1 e evangelizou fora da Palestina. Fundou várias comunidades e as acompanhou por meio de visitas e cartas.2 A Primeira Carta aos Tessalonicenses é conhecida como o escrito mais antigo do Novo Testamento.3 Como cristão, Paulo viveu um processo de cristificação (Gl 2,20) que o ajudou a enfrentar os sofrimentos cotidianos (2Cor 11,24-28), sendo fiel até a morte. A morte deste apóstolo, conforme a tradição, aconteceu em Roma, por volta de 67 E.C.4 Liturgicamente, a Igreja Católica Apostólica Romana celebra no dia 25 de janeiro a experiência de Paulo com Jesus Cristo e o seu martírio no dia 29 de junho.

QUANDO FOI ESCRITA?

 A Primeira Carta aos Tessalonicenses foi escrita entre os anos de 50 e 51 E.C., na língua grega popular. Nessa época, a comunidade ainda não estava organizada e necessitava de incentivo para não desanimar diante das provações.[1]

ONDE FOI ESCRITA? [2]

Ao longo da sua jornada missionária, Paulo acompanhou cada comunidade de forma personalizada. Mesmo distante, ele sempre dava um jeito de exortar, orientar e consolar os cristãos. Ele escreveu a Primeira Carta aos Tessalonicenses possivelmente em Corinto, antiga vila grega que se tornou uma grande cidade portuária, situada entre o mar Egeu (ao leste) e o mar Jônico (a oeste), o que favoreceu a expansão do Cristianismo. Provavelmente, Paulo chegou a Corinto no inverno de 50 a 51 E.C. e lá encontrou importantes colaboradores, como o casal Priscila e Áquila (At 18,2). Mais tarde, o apóstolotrabalhou com eles (1Cor 16,19) e fundou uma nova comunidade cristã.

QUAL ERA SUA PRINCIPAL FINALIDADE?

Os cristãos viviam uma realidade bastante desafiadora em Tessalônica, cidade fundada em 315 a.E.C. por Cassandro, Rei da Macedônia, no território situado ao norte da Grécia, na cabeceira do golfo Termaico. Metrópole portuária bastante desenvolvida, tornou-se a capital da província romana na Macedônia no ano de 146 E.C.7 Nesse ambiente cosmopolita,8 Paulo fundou a comunidade cristã por volta de 49 e 50 E.C., durante sua segunda viagem missionária. Em At 17,1-9 aparecem os detalhes da missão paulina em Tessalônica, na companhia de Silas, e a adesão de alguns gregos adoradores de Deus e de mulheres da alta sociedade. Portanto, os cristãos convertidos eram de origem judaica, grega, profissionais itinerantes e comerciantes vindos da Itália e da Ásia Menor, que sobreviviam num ambiente politeísta, marcado pela mitologia de outros povos, e também enfrentando oposições dos judeus.9 Paulo escreveu a Primeira Carta aos Tessalonicenses para confirmar e exortar a respeito da fé (1Ts 3,2), com o objetivo de os cristãos conservarem a fé operosa, caridade laboriosa e ter esperança constante no Senhor (1,3).[3]

ESTRUTURA DA PRIMEIRA CARTA AOS TESSALONICENSES

Existem diversas formas de estruturar a Primeira Carta aos Tessalonicenses. Resumidamente, podemos subdividir seus cinco capítulos nas seguintes partes:

·         Primeira parte: cabeçalho, saudação e ação de graças pela fé, esperança e caridade da comunidade de Tessalônica (1,1-10).

·         Segunda parte: encorajamento diante das dificuldades específicas da vida cristã (2,1–4,12).

·         Terceira parte: instruções sobre a vinda gloriosa de Jesus Cristo (parusia) e o destino dos mortos (4,13–5,11). Quarta parte: exortações e bênção final (5,12-28).

ASPECTOS TEOLÓGICOS

Destacamos os seguintes aspectos teológicos:



1.       Deus Pai

Na Primeira Carta aos Tessalonicenses, Deus é denominado Pai (1,1.3; 3,11.13), Deus vivo e verdadeiro (1,9), fonte de ação de graças (1,2), digno de confiança (2,2) e que perscruta o coração humano (2,4). Possui um plano de salvação que consiste em tornar as pessoas imitadoras de sua 10 santidade (3,13; 4,7; 5,23). É o Deus da paz (5,23) que não nos destinou ao castigo, mas sim à salvação (5,9). Deus Pai convoca a comunidade para participar do seu Reino (3,11.13) e da sua glória (2,12), santificando-a com o auxílio do Espírito Santo (4,7-8) que gera a vida e revitaliza as relações, a partir da fé em Jesus Cristo.

2.       Jesus Cristo

O nome Jesus aparece acompanhado dos títulos cristológicos: Cristo Jesus (2,14; 5,18), Senhor Jesus (2,15.19; 3,11.13; 4,1), nosso Senhor Jesus Cristo (1,1.3; 5,9.23.28) e Filho (1,10). Ao levar em conta que é o escrito mais antigo do Novo Testamento, temos aqui o núcleo central do querigma, ou seja, do primeiro anúncio sobre Jesus, o Messias, realizado por Paulo e seus colaboradores. Além da centralidade no Mistério Pascal, Paulo introduz o tema da parusia de Jesus, isto é, da vinda imediata do Filho de Deus, servindo-se de imagens da apocalíptica e de uma linguagem simbólica. Porém, não é possível determinar nem dia nem hora, porque tudo acontecerá no tempo de Deus, que é desprovido do controle humano (5,2).

3.       Espírito Santo

Na Primeira Carta aos Tessalonicenses, o Espírito Santo é mencionado como revelador da Palavra (1,5), fonte de alegria para os cristãos (1,6) e dom de Deus (4,8). O Espírito revela a Palavra como mensagem salvífica e libertadora, gera alegria nos seguidores de Cristo recém-convertidos, ajudando-os na prática da caridade e congregando-os em comunidade (5,12-22).

4.       Comunidade cristã

A comunidade era composta de irmãos amados por Deus e recebeu a Palavra entre aflições. Seguiu os exemplos de Paulo e imitou o Senhor, tornando-se modelo para os cristãos da Macedônia e da Acaia (1,4-7). Deixou os ídolos, assumiu o Deus vivo e verdadeiro (1,9), acolhendo o Evangelho não apenas como instrução humana, mas como Palavra de Deus (2,13). Esta comunidade era amada por Paulo (2,8), com amor filial, digna de consolo e encorajamento (2,11-12). Além de imitadora das igrejas da Judeia, perseguida pelos concidadãos adversários (2,14) e confortada por Timóteo, que ficou impressionado com seu testemunho de fé e caridade (3,1-6). A comunidade, chamada eleita por Deus, foi convocada a cultivar a santidade do corpo, a fraternidade, o bem comum, a viver do próprio trabalho, a corrigir os indisciplinados, a confortar os desencorajados, a cuidar dos fracos, a ter paciência com todos, a rezar constantemente, a agradecer por tudo, a conservar a alegria e o que é bom, afastando-se de toda forma de mal (4,1-12; 5,12-22).

5.       Evangelho

A palavra “Evangelho” é de origem grega e significa boa-nova. Ela era aplicada à situação na qual se comunicava uma notícia, que gerava alegria nas pessoas, como a vitó- ria numa determinada guerra ou o nascimento do herdeiro do trono. O termo em hebraico que traduz a palavra grega “evangelho”, ou termos afins como “mensageiro” ou os verbos “evangelizar”, “proclamar”, ocorre também no Livro do profeta Isaías, quando é anunciada a boa-nova do retorno do 12 povo do exílio da Babilônia (Is 40,9; 52,7; 61,1-2). Em 1Ts a mensagem cristã é considerada Evangelho, porque tem como base fundamental a pessoa de Jesus Cristo, a vitória sobre a morte e a inauguração do Reinado de Deus. Os tessalonicenses receberam o Evangelho com o poder do Espírito Santo, entre muitas aflições, e o partilharam não apenas na Macedônia e na Acaia, mas em outros lugares (1,5-8). É Paulo quem pela primeira vez, na carta aos Tessalonicenses, emprega a palavra “evangelho”. Mais tarde, os cristãos adotaram este termo para nomear os primeiros livros do Novo Testamento: Marcos, Mateus, Lucas e João, nos quais são narrados a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo.

6.       Fé, esperança e caridade

Nesta carta, ocorre pela primeira vez a tríade paulina: fé, esperança e caridade (1,3; 5,8), que posteriormente serão consideradas “virtudes teologais”. A fé é fundamentada na experiência de que Jesus Crucificado é o Messias e o Senhor Ressuscitado. Ao crer que Jesus foi ressuscitado, nós cristãos também temos a esperança de que ressuscitaremos no tempo escatológico, no momento da parusia. Mas a esperança de permanecer em comunhão com Deus e com as pessoas no fim dos tempos é antecipada na construção do Reinado de Deus, na história, por meio da vivência do amor, da caridade.

NOSSO SUBSÍDIO

 Este fascículo tem como objetivo proporcionar aos grupos de reflexão e círculos bíblicos um encontro pessoal 13 e comunitário com a Palavra, a partir da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses. O subsídio contém quatro encontros e cada um é precedido por um texto preparatório sobre o texto bíblico abordado. Ao final, inclui uma celebração de encerramento que pode ser preparada no grupo ou em comunidade. O primeiro encontro reflete sobre a identidade cristã, que é revelada a partir da fé, da esperança e do amor, virtudes que sustentam a vida pessoal e da comunidade (1Ts 1,2-10). O tema da edificação do trabalho como dignidade para a vida (4,9-12) é abordado no segundo encontro. Nota-se que o apóstolo evidencia a importância do sustento humano proveniente das próprias mãos, realizado com honestidade, evitando a ociosidade desnecessária. A vinda do Senhor e a crença na ressurreição são os temas do terceiro encontro, elementos que revelam a esperança cristã (4,13–5,11). O quarto encontro retrata a comunidade cristã, vivida na alegria, em oração e no discernimento (5,12-22). O último encontro é reservado para a celebração de encerramento, fazendo memória dos quatro encontros anteriores. Rezaremos 1Ts 2,3-8, texto que iluminou o lema do Mês da Bíblia deste ano: “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida”. Desejamos que estes encontros sejam realizados na fé operante, caridade laboriosa e esperança constante no Senhor Jesus Cristo (cf. 1,3). 14

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

Dicas para a pessoa que conduzirá o encontro:

·         Ler com antecedência o texto preparatório que precede cada encontro e o texto bíblico indicado.
·         Providenciar os símbolos e decorar o ambiente, antes de os participantes chegarem ao local do encontro.
·         Caso seja necessário, substituir os cantos desconhecidos por outros familiares ao grupo, para favorecer a participação de todos.
·         Se na comunidade houver outros grupos de estudos bíblicos, preparar em conjunto a celebração de encerramento.

BIBLIOGRAFIA Para aprofundar o tema, sugerimos:

A BÍBLIA: Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2015.
BARBAGLIO, G. As cartas de Paulo, I. São Paulo: Loyola, 1989. (Bíblica Loyola, 4).
BINGEMER, M. C. L. Jesus Cristo: servo de Deus e Messias glorioso. Teologia sistemática: Cristologia. São Paulo: Paulinas; Valencia, Espanha: Siquem, 2008 (Livros Básicos de Teologia, 8).
BORTOLINI, J. Como ler a Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses: fé, amor, esperança. São Paulo: Paulus, 2014.
BROWN, R. E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004 (Bíblia e História. Maior).
15 FABRIS, R. Paulo: apóstolo dos gentios. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 2010.
FRANÇA, A. A cruz em Paulo: um sentido para o sofrimento. São Paulo: Paulinas, 2010. GASDA, E. E. Cristianismo e economia: repensar o trabalho além do capitalismo. São Paulo: Paulinas, 2014 (Ética e Sociedade).
GRENZER, M. Trajetória do apóstolo Paulo. 4. ed. São Paulo: Paulinas, 2015.
 HAWTHORNE, G.; MARTIN, R.; REID, D. Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/Paulus/Loyola, 2008. MURAD, A.;
CUNHA, C.; GOMES, P. R. Escatologia cristã em perspectiva dialogal. São Paulo: Paulinas, 2016 (Percursos e Moradas).
MURPHY-O’CONNOR, J. Jesus e Paulo: vidas paralelas. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2009. SANCHEZ BOSCH, J. Escritos paulinos. São Paulo: AM Edições, 2002 (Introdução ao Estudo da Bíblia, v. 7).
SERVIÇO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA. Em Jesus, Deus comunica-se com o povo: comunidades cristãs na diáspora. 4. ed. São Paulo: Paulinas, 2009.
SILVA, Valmor da. Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus! Teologia paulina. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2008.
TORRES QUEIRUGA, A. Repensar a ressurreição: a diferença cristã na continuidade das religiões e da cultura. São Paulo: Paulinas, 2004.



[1] Paulo era de origem judaica e nasceu na diáspora (fora da Terra de Israel); por isso, tinha dois nomes: Saulo, nome hebraico em homenagem ao Rei Saul; e Paulo, nome latino.
 2 As cartas consideradas autênticas de Paulo são sete: 1 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos, Filipenses e Filêmon. As outras cartas, que levam o nome dele, provavelmente foram escritas por colaboradores do apóstolo. 3 REYNIER, C. Para ler o Apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2012. p. 123.
4 No presente subsídio, em vez de usar a.C. e d.C. usaremos a.E.C. (antes da Era Comum) e E.C. (Era Comum), em respeito ao diálogo inter-religioso.


[2] 5 MAZZAROLO, Isidoro. Primeira e Segunda Carta aos Tessalonicenses: exegese e comentário. Rio de Janeiro: Isidoro Editor, 2016. p. 11
[3] 6 MAZZAROLO, Isidoro. A Bíblia em suas mãos. 9. ed. Rio de Janeiro: Mazzarolo Editor, 2012. p. 165.
7 Cf. HAWTHORNE, G.; MARTIN, R.; REID, D. Dicionário de Paulo e suas cartas. São Paulo: Vida Nova/Paulus/Loyola, 2008. p. 1192.
8 Na sua evangelização, Paulo trabalha nos ambientes urbanos, nas grandes metrópoles da época.
9 RAYNIER, C. Para ler o apóstolo Paulo. São Paulo, Paulus, 2010. p. 124.

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